Modelos de renovação orgânica para obter sucesso no Futebol Atual


O Corinthians é o melhor exemplo brasileiro de um time montado pelas contratações. Acertaram nas contratações, fizeram e fazem de tudo para não vender os jogadores, mantiveram e mantêm os que dão certo, contratam peças de reposição antes que elas sejam necessárias.
Emerson foi contratado no começo de 2011, deu certo. Paulinho e Ralf foram contratados a preço de banana (agora valem milhões), deram muito certo. Alessandro foi contratado para a série B, esta ai até hoje. Guerrero foi contratado depois da Libertadores e fez os dois gols do título Mundial. Emerson tem 34 anos, logo vai parar, mas o Corinthians já tem Martinez, mais novo e futuro substituto. Paulinho esta novo ainda, mas é daqueles que são difíceis de segurar, logo pagarão a multa e ele irá inevitavelmente para a Europa. Mas o Corinthians tem Guilherme, que veio da portuguesa para ser o substituto de Paulinho num futuro próximo.
A regra é simples: não desmanche o time (sai caro remontá-lo e não vai funcionar), monte seu elenco aos poucos e procure peças de reposição antes mesmo de precisar.
O segundo exemplo é famoso e clássico: o Barcelona. Desde o começo da década de noventa eles investem pesado nas categorias de base. Os blaugranas pensaram e pensam o jogo de seus meninos de forma ofensiva e baseada na posse de bola. Os garotos jogam juntos por uns 10 anos antes de subirem para o profissional. Iniesta, Xavi, Messi, Fábregas, Piqué, Puyol, são craques mundiais, grandes estrelas, mas o Barcelona não precisou contratar nenhum deles. São formados no clube e jogam juntos faz tempo, e parecem que continuarão jogando juntos por muito mais.
A regra é simples: invista na base, daqui uns 15 anos haverá um time inteiro jogando com entrosamento e qualidade, sem ter que contratar quase ninguém. Quando esse time envelhecer ou se desmontar, outros tantos estarão nas categorais de base vibrando de tanta vontade de jogar.
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Não é um problema ter heróis, os torcedores inevitavelmente escolherão os seus. O problema é planejar o elenco de um clube de forma imediatista, depositando todo o dinheiro e esperança em um ou dois nomes caros e famosos. Contratar Robinho, pagar seu salário, e não renovar a zaga, as laterais, montar um banco de reservas, não adianta nada ao Santos. Contratar Valdívia não serviu de nada ao Palmeiras. Nada!
Os clubes, especialmente os brasileiros, precisam aprender algo que o Corinthians já aprendeu: o futebol é um esporte coletivo, portanto o planejamento do elenco deve passar por todas as posições, montando um time homogêneo. Não é um problema ter estrelas, o problema é montar um time a partir delas. Os clubes, caso contratem, devem contratar pessoas, não nomes. Paulinho era apenas mais um jogador, o desempenho dele e do time é que o transformaram em uma estrela. Neymar era apenas um jogador, o desempenho dele e do time é que o transformaram em uma estrela (o problema foi quando o Santos teve que contratar, ai erraram e a estrela ficou solitária).
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O Flamengo não era só Zico, o Santos não era só Pelé, Palmeiras não era só Ademir, o Barcelona não é só Messi, por ai vai. Esses caras despontaram, viraram ícones, mas por trás deles havia um time.
Nossa personalização do futebol faz torcida e diretoria esquecerem que existem 11 jogadores mais os reservas. Nossa personalização, culpa da nossa vontade incontrolável de construir heróis, causa no futebol um gasto de dinheiro imenso, forma equipes Frankenstein, leva a erros graves de planejamento.
Isso deve mudar enquanto é tempo, para voltarmos a montar equipes, não uma lista de nomes com uma estrela ao lado de um deles.

Da redação Léo Feitosa




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